SOS Pesquisa e Rorschach - Guenia Bunchaft

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Post da Semana

  • • 09/01/2013 - Cirurgia plástica: mais uma manifestação da ditadura da beleza?

    A  todo momento  temos notícias de que mulheres, de todas as faixas etárias, morreram com complicações de cirurgias plásticas, quando não ficaram deformadas, muitas vezes de forma irreparável. Esses fatos merecem ser analisados mais detidamente. Em primeiro lugar, temos que o Brasil superou os EUA no ranking de cirurgias desse tipo, com 207 operados em 100000 habitantes, em contraposição a 185 por 100000 no segundo país. Em segundo tivemos um aumento de 35% de processos por imperícia, sendo a especialidade médica em que ocorreram mais reclamações.

    Assim como no post anterior, referente à obesidade e à cirurgia bariátrica- http://www.sospesquisaerorschach.com.br/post/169/obesidade:-quando-fazer-a-cirurgia-bariatrica/

    essa proliferação de intervenções, a maior parte delas desnecessária, remete às ditaduras da beleza e da magreza. Segundo a psicóloga Maria Ângela Moura Rodrigues, o aumento no número de adolescentes que deseja fazer plástica é consequência do modelo de nossa sociedade de consumo, em que é como se ela estivesse à venda e prometesse felicidade e melhora na autoestima para o comprador. E essa busca por um ideal estético inatingível e pela eterna juventude atingiu dimensões preocupantes no Brasil. Mas esse universo róseo tem manchas preocupantes.

    1-   Boa parte dos que se intitulam cirurgiões plásticos, não tem formação para exercer essa especialidade, que requer dois anos de residência em cirurgia geral, três em cirurgia plástica e aprovação nos testes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

    2-   Estima-se que 20% das operações estéticas realizadas no Brasil é desnecessária, sendo a campeã a lipoaspiração. Esta não é a solução para emagrecer, mas para a retirada de gordura localizada e tem como um de seus riscos a perfuração de órgãos vitais.

    3-   A obsessão por rosto e corpo perfeitos foi classificada pela Academia Americana de Psiquiatria de dismorfia corporal, em que qualquer imperfeição do doente é vista com uma lente de aumento. O cirurgião inescrupuloso se aproveita do paciente que tem esse problema para fazer uma intervenção após a outra.

    4-   Complicações como a infecção hospitalar, a embolia pulmonar, a insatisfação com o resultado da cirurgia, rejeição à prótese e reações adversas à anestesia costumam fazer os candidatos à cirurgia desistirem de fazê-la.

    5-   Finalmente, hoje em dia está  muito em moda a aplicação de Botox, empregada para atenuar rugas faciais. Mas o uso excessivo dessa substância deixa a face sem qualquer expressão.

    No filme coreano do diretor Kim Ki-Duk, Time- O amor contra a passagem do tempo fica bem nítido o uso da cirurgia plástica como forma de evitar, como diz claramente o título, as mudanças na aparência com a passagem do tempo. A trama gira em torno de um jovem casal que entra em crise, Se Hee e Ji Woo, devido à insegurança dela, pois acredita que depois de dois anos de namoro ele está cansado de sua aparência e porisso não a ama mais.  Ela chega ao ponto de fazer cenas e escândalos por ciúmes, dizendo em relação a outras moças que falam com ele: Quero arrancar os olhos das garotas que olham para você. E quando ele não fica excitado sexualmente, ela o faz fantasiar que está com outra mulher.

    É então que ela resolve fazer uma mudança radical em seu  visual, fazendo uma plástica facial que muda totalmente o seu rosto e que demora seis meses para cicatrizar completamente. Para tanto desaparece da vida de Ji Woo, que fica inconsolável, pois a amava de verdade. Plásticas, como qualquer alteração física, mostram a esperança de reestruturação psicológica, como se a pessoa que a faz, no caso Se Hee, acreditasse que a cirurgia vai transformá-la em outra mulher, que será mais desejada e amada por Ji Woo.

    Quando Se Hee reaparece com o novo rosto, o  reconquista; mas seu interior inseguro em nada mudou, volta a fazer escândalos quando outras moças falam com Ji Woo. Até que ela confessa que operou o seu rosto porque achou que ele estava cansado do seu visual e procuraria outra mulher. Estranhamente, ele resolve  fazer também um lifting radical, com um período de recuperação similar ao dela, de seis meses. Ao se reencontrarem, após muita dificuldade, eles têm uma linda noite de amor, com seus novos rostos, mas os mesmos eus. Até que Ji Woo é atropelado e morto e Se Hee, percebendo o vazio da vida, decide fazer uma cirurgia em que fique irreconhecível.

     



     
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