SOS Pesquisa e Rorschach - Guenia Bunchaft

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  • • 01/11/2012 - A Maconha deve ser legalizada: prós e contras

    Apesar de ser um comportamento definido como crime ante a lei, a maconha é consumida pela maioria das pessoas como se se tratasse de uma droga inócua. Ela que, em outros tempos, foi considerada como aerva maldita e seus usuários tachados radicalmente de maconheiros, agora é tolerada em vários ambientes. Nos EUA, dezessete estados já regulamentaram seu uso medicinal. No Uruguai, o presidente Mujica pretende estatizar a produção e a distribuição da droga. Em Maio deste ano, no Brasil, o STF liberou a marcha em defesa da maconha.

    Contrariando a atual liberalidade em relação à maconha, pesquisas médicas provam de forma cada vez mais taxativa que a fumaça da maconha prejudica a saúde do usuário crônico aquele que fuma pelo menos um cigarro por semana durante um ano. Estudos conduzidos em treze universidades americanas com 1000 voluntários, durante 25 anos e que começaram a fumar aos 13 anos foram assim estruturados: 1- o primeiro grupo era composto de fumantes regulares de maconha; 2- os integrantes do segundo não fumavam essa droga. Constatou-se que os usuários de maconha tiveram uma queda significativa em seu desempenho intelectual.

    Além disso, ao contrário da hipótese vigente até recentemente, de que a maconha só desencadeia transtornos mentais bipolaridade, esquizofrenia, depressão, aumento da ansiedade em indivíduos com predisposição genética, o risco de um usuário de maconha sem antecedentes familiares vir a desenvolver essas patologias é mais alto do que o da população em geral.

    E o mais assustador é que a maconha não faz jus à sua fama de inofensiva. Comparada com o cigarro, famoso por suas substâncias cancerígenas, considera-se em geral que o cigarro seria mais prejudicial do que a maconha, uma erva consumida em sua forma natural. Mas quem fuma maconha, devido às tragadas longas e à ausência de filtro, absorve quatro vezes mais alcatrão do que se fumasse um cigarro e cinco vezes mais monóxido de carbono, ambas substâncias associadas ao câncer de pulmão. Em relação ao álcool, sem dúvida sua ingestão excessiva leva a um comprometimento sistêmico, sobretudo do fígado e do cérebro. Mas a interrupção do uso leva a uma regeneração desses órgãos em poucos dias, ao contrário da maconha, cujo consumo crônico, mesmo quando interrompido, leva a um dano nos neurônios prolongado e muitas vezes irreversível. Convém ainda destacar que, quanto mais cedo se iniciar o uso da maconha, maior o risco do comprometimento cerebral.

    Segundo a psiquiatra mexicana Nora Volkow, uma das mais importantes pesquisadoras em drogas no mundo, já citada em nosso post http://www.sospesquisaerorschach.com.br/post/144/qual-a-verdade-sobre-as-drogas/ as drogas, inclusive a maconha, começam a ser usadas na adolescência porque nessa fase existe o anseio por experimentar novas emoções e assumir maiores riscos, sem medir as consequências. Mas é justamente na adolescência que o uso de drogas é mais perigoso, devido à sua plasticidade e sensibilidade aos estímulos externos do cérebro.  Ainda segundo essa pesquisadora, a dificuldade em romper a compulsão que o vício pelas drogas em geral e a maconha em particular traz é decorrente da modificação do cérebro que elas acarretam. Para que alguém se vicie, é preciso uma exposição repetida à substância. Os cerca de 10% dos usuários que se viciam depois de pouco tempo de uso têm uma vulnerabilidade de ordem biológica ou social, ou seja, uma predisposição genética para o vício ou estar ou ter passado por algum tipo de stress que ajudou a disparar o gatilho da adição.

    O filme Louca de Dar Nó, dirigido por Gregg Araki e protagonizado por Anna Faris e John Krasinski mostra de forma hilariante as complicações que a maconha pode causar na vida de uma pessoa. Jane é uma pretendente a atriz que divide o apartamento com seu amigo Steve. Já chapada, tem aquele ataque de fome típico dos maconheiros e, depois de acabar com tudo que é comível, vê uns bolinhos feitos por seu colega em que está escritos para não tocar, pois estão destinados a uma experiência de ficção científica. Apesar das recomendações, ela come todos e logo sofre os efeitos: fica mais chapada ainda, pois os bolinhos aparentemente inofensivos estavam recheados com maconha. E agora, como remediar seu erro?

    Ela procura seu traficante de drogas e compra mais droga mas, enquanto está fazendo novos bolinhos recebe um telefonema sobre um teste para atriz. Fica tão empolgada que deixa os bolinhos virarem carvão! E tem comportamentos desastrados um atrás do outro: ao entrar no ônibus para ir ao teste, se desequilibra e é chamada de maconheira; no local do teste oferece a droga  a outra candidata e à selecionadora, queimando todas as suas chances de ser aprovada; apossa-se até de um documento histórico importante, pensando em conseguir o dinheiro de que precisa com ele. No final do filme, fica numa roda gigante, falando com um ser imaginário.


     
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